19/02/2010

António de Araújo Vasques da Cunha Portocarrero


António de Araújo Vasques da Cunha Portocarrero, 1º Barão de Pombalinho (título criado por D Maria II, Rainha de Portugal, por decreto de 08 de Maio de 1837) é oriundo de uma notável família portuguesa descendente de Dom Raimundo Garcia, a quem o conde de Portugal Dom Henrique de Borgonha doou o couto de Portocarreiro, senhorio de que tomou o nome Dom Raimundo Garcia de Portocarrero .

Nasceu no Porto em 20 de Abril de 1781 e é filho de Francisco Luís de Brito de Araújo e Castro e de Ana Luísa da Cunha Coutinho Osório e Alarcão de Portocarrero.Sua mãe, 14ª Sra. da Quinta da Torre em Villa Boa de Quires nasceu a 27 de Novembro de 1746 e morreu a 6 de Maio de 1801 tendo casado por três vezes: 1ª com Filippe Carneiro de Faria Pereira Manso, senhor dos Morgados da Parreira e da Cerieira, Capitão Mor de Ourém; 2ª em 1777 com Francisco Luíz de Brito Araújo e Castro, senhor da Casa de Casal de Soeiro no Concelho dos Arcos, Cavaleiro da Ordem de Chr e Desembargador do Porto , que nasceu a 12 de Março de 1733 e morreu a 20 de Fevereiro de 1793; 3ª com o Desembargador José Cândido de Pina e Mello.

Casou em 1812 com Rita Mariana Giralda Freire, viúva de Manuel Nunes Gaspar e mãe de Manuel Nunes Freire da Rocha, 1º Barão de Almeirim.Foi condecorado com a Cruz Ouro da Guerra Peninsular, na qual serviu, principiando em Capitão de Cavalaria na Leal Legião Lusitana e finalizando em major do Regimento Nº3, Posto de que se demitiu. Em 1833 prestou importantes serviços à causa da Rainha, foi Governador-Geral do Distrito de Santarém em 1846 e Comandante do Batalhão Móvel dos Voluntários de Santarém.

Almeida Garrett a ele se refere nas "Viagens na Minha Terra" : “No caminho encontrámos o nosso antigo amigo, o Barão de Pombalinho, - barão de outro género, e que não pertence à família lineana que nesta obra procurámos classificar para ilustração do século -, cavalheiro generoso, e tipo bem raro já hoje da antiga nobreza das nossas províncias, com todos os seus brios e com toda a sua cortesia de outro tempo, que em tanto relevo destaca da grosseria vilã dessas notabilidades improvisadas...Vinha em nossa procura para nos guiar. Seguimo-lo.”


No Diccionario bibliographico portuguez, é referenciado por Innocencio Francisco da Silva, “Em uma contenda forensa , suscitada entre elle (Manuel Vieira da Silva, médico) e António de Araújo Vasques da Cunha, que morreu barão de Pombalinho, por parte dos herdeiros de Manuel Nunes Gaspar, capitão-mór de Santarém, sobre a validade da mercê que D.JoãoVI fizera ao physico-mór de uns accrescidos no denominado monchão dos Coelhos, próximo às lezírias do Ribatejo, publicaram-se de ambos os lados pela imprensa memorias em que cada um dos contendores allegava os seus direitos contra os do adversário...”




Assento de baptismo


Este é o assento de baptismo daquele que tendo nascido na freguesia de Cedofeita, no Porto, viria a ser em 1837, Barão de Pombalinho.










"António, filho legítimo de Francisco Luiz de Brito de Araújo e Castro e D. Anna Luiza da Cunha de Alarcão e Portocarreiro, moradores na sua Quinta da Bandeirinha nesta freguesia de Cedofeita; neto Paterno de Bento de Araújo e Castro e Dona Catharina da Silva, da Villa dos Arcos; e materno de João da Cunha e Dona Victoria da Cunha Brandão da Villa de Melres : nasceo aos vinte dias do mez de Abril de mil setecentos e oitenta e hum, e foi baptizado aos vinte de Mayo do mesmo anno. Padrinhos o Excellentíssimo Visconde de Villa nova de Cerveira e Dona Jacinta de Brito da Villa dos Arcos por procurações o Reverendo Bento de Araújo e Castro e Tomaz de Brito e Araújo e Castro, que (as appresentaram). Testemunhas o Reverendo Sacrystão Manuel Pereira de Campos e Francisco José da Silva. E para que conste mandei fazer aqui assento e assignei (ao lado = por mim o Paroco Manoel Pereira nesta Igreja de Cedofeita)"


Observações:

O pai, Francisco Luiz de Brito de Araújo e Castro, formado em Leis pela Universidade de Coimbra, foi 8º morgado de Stª Bárbara de Cazal-Soeiro, fidalgo cavaleiro da Casa Real, cavaleiro da Ordem de Cristo (25.5.1782) e juiz e provedor de Ourém e Castelo Branco (2.4.1778), etc.

Nome completo do avô paterno: Bento de Brito de Araújo e Castro. Fidalgo cavaleiro da Casa Real, foi o 7º morgado de Stª Bárbara de Cazal-Soeiro, nos Arcos de Valdevez.

Nome completo da avó paterna: D. Catarina Josefa Tereza da Silva.

Nome completo do avô materno: João da Cunha Coutinho Ozorio de Portocarreiro. Foi 17º senhor da torre de Portocarreiro, 4º morgado de Melres, senhor do palácio da Bandeirinha (Porto), tenente-coronel de Infantaria do Regimento do Porto, etc. Seus filhos morreram sem geração, pelo que sucedeu a filha, D. Ana Luiza.

Nome completo da avó materna: D. Vitória Joana da Cunha Pinto Brandão de Mello. 8ª senhora da quinta da Sobreira e senhora do morgadio dos Pinto Brandão, em Melres (Gondomar).


Fonte do documento - Arquivo Distrital Porto



Exposição


Este documento, que se encontra em arquivo na Torre do Tombo, é um relato pormenorizado sobre a vida militar do barão de Pombalinho. É um importante testemunho que permite conhecermos todo o envolvimento que teve António de Araújo Vasques da Cunha Portocarrero aquando as das Invasões Francesas.









"António de Araujo Vasques da Cunha, Fidalgo da Caza Real, condecorado com a cruz de Oiro da Guerra Peninçular, faz uma fiel exposição de seus serviços, que não poderá deixar de ser extença, por isso que tem de a documentar, para milhor se conhecêr sua exactidão, da qual não pertende afastarce no mais pequeno Objecto.

Sentou praça em o primeiro de Junho de 1796 e foi reconhecido Cadete em 25 de Setembro do mesmo anno, no 6º Regimento de Infantaria, no qual fêz a Campanha de 1801, sem ter hum dia de licença nem de doença.
Documento, N=1.

Foi feito Alferes em 15 de Agosto de 1805 __de Cassadores, em 17 de Setembro de 1806; Marchou com o seu Regimento em Janeiro de 1808 para a Villa de Guimarães, tempo em que a Tropa Portugueza foi dezarmada por ordem do Intruzo Governo Francêz, e foi encarregado de dezarmar o Regimento do Exponente, o General D. Jozé Carcome Lobo, ao Serviço do mesmo Governo Intruzo, e encarregado pelo Excelentissimo Marquêz da Lorna d’ingajar Offeciaes, e Soldados Portuguezes para ficarem ao serviço da quele Governo. Offerecêo aquele General ao Exponente o Commando de hum Batalhão Francêz, ao que o mesmo Exponente se recuzôu, e por isto veio com Baixa para sua Caza no Porto: Documentos, N 1 e 2.

Em 1808; sendo Tenente do mesmo Regimento, tempo em que os Francezes como Invazôres ocuparão Lisboa, e todo o Reino; e havendo no Porto, huma não pequena força, foi o Exponente que de concerto com seus Irmãos; (ambos Offeciaes Superiôres do seu mesmo Regimento) e com, o Capitam d’ Artilharia Mariz, aclamou o Senhor D. João 6º; fêz reunir no Paço do Bispo toda a Nobreza e Póvo da quela Cidade, e ali se lavrou o accento d’aclamação que o Exponente teve a honrra d’ assignar, a sim como tambem foi hum dos que nomeôu a Regencia do Porto em nome do Princepe Regente; e isto ao tempo em que huma Devizão Francêza, comandada por LCarson, marchava do Douro sobre o Porto, para abafar a revolução contra elles; (que então já respirava) e onde não chegou a entrar por imaginar a li grandes forças; e por isto retrocedêo, o que se não tivece acontecido, teria sido não só fuzilado o Exponente, mas tambem seus Irmãos, e a sua própria Caza seria queimada. Documentos, N 3=4=5=6.


Foi neste tempo, que veio de Inglaterra, O Brigadeiro Wilsson organizar na quela Cidade, a Leal Legião Luzitana; formou a Tropa que ali existia e escolheo para a Legião os Offeciaes, e Soldados que lhe agradarão, e neste numaro entrou o mesmo Exponente em Capitam de Cavalaria para adita Legião, Documento, N= 6, onde se organizarão trez Batalhoes que marcharão logo para a Cidade de Rodrigo acompanhados de sua competente Artilharia; da qual era Commandante, o Cabreira Docluciano; e isto debaixo do Commando do mesmo General Wilsson com todos os Offeciaes de Infantaria do mesmo corpo; (no qual era então Cadete, o actual Visconde das Antas) e ficarão os Officiaes de Cavalaria; que então ainda se acha vão apeados; encarregados de Organizarem mais trez Batalhoes para se unirem á queles logo que estivecem pronptos; e isto debaixo do Commando do Coronel Barão d’Eben; commandante em segundo da mesma Legião; aqual emcarregando o Exponente de fazer as vêzes de Major dos trez Batalhões, o encarregou tambem do maior trabalho da quela Organização, e logo que estiverão pronptos, marcharão de baixo do Commando do Barão, com todos os Offeciaes de Cavalaria; não para a Cidade de Rodrigo; mas sim para Galiza, afim de evitar que ali fôsse cortado o General Wilsson; então na Cidade de Rodrigo; fazendo frente ao Marchal Sult; não foi debalde esta marcha, porque Sult veio logo a Chaves, e nós por huma contra marcha rapida de Galiza a Braga; onde foi morto o General Bernardino Freire, que então Commandava aquela Província e todo o seu Estado Maior, tumultuosamente pelos Povos em Annarquia em toda aquela Província, e foi nomeado para seu lugar o Barão d’Eben . Neste tempo vierão a li muitas pessôas de Monte Alegre (distante de Chaves trez Legoas) dizer ao dito Barão que tinhão ali muita gente, que todos eram cassadores, e que por isto lhe vinhão pedir, não só munições de Guerra, mas tambem duas companhias da Legião e hum Offecial do seu conçeito, que as soubece dirigir, e mandar no Campo; O Sobredito Barão deu as duas Companhias, muitas munições, e proguntou ao Exponente se queria encarregarce desta arriscada deligencia, ao que omesmo annuiu, partindo logo sobre Monte Alegre donde comunicava ao mesmo Barão todos os movimentos que os Francezes fazião em Chaves; trez legoas de distancia. no fim de muitos reconhecimentos marcharão os Francezes de Chaves a Braga pelo Caminho de Barrozo, ficando o dito Exponente, e a Tropa do seu commando á direita da queles, tendo de marchar de dia e noite por montes e Valles para não ficar cortado por aquele Exército, que chegou em frente de Carvalho d’Este, huma legoa distante de Braga, ao mesmo tempo que o Exponente entrou na dita Cidade com a Tropa do seu commando por ter andado de dia, e noite; apresentou-se ao sobredito Barão com toda a força e munições que lhe tinha entregue, e este o mandou logo para a dita pozição de Carvalho d’Este commandar, não só os trez Batalhoes da Legião, mas tambem dois Regimentos de Mellicias que ali se achavão, e muitos Ordenanças, que sem mais alguma força tiverão a audácia de estarem dez dias atiro de Canhão defronte do Grande Exercito, commandado por Sult; oqual depois de ter reconhecido a qualidade, e quantidade da Tropa que tinha na sua frente, fêz avanssar sobre os nossos flancos toda a sua Cavalaria, a grandes distâncias, para cortarnos a retirada, cahindo ao mesmo tempo com toda asua força d’Infantaria, sobre onosso Sentro, e desperdiçando-se as Millicias e Ordenanças, foi acutilada, a maior parte da Linda Legião, salvando o Exponente, pouco mais de hum Batalhão, com o qual se retirou a Braga, huma legua de distancia, e dali com o Barão d’Eben para o Porto, entrando os Franceses em Braga por hum lado e nós sahindo pelo outro, debaixo de Vivo Fogo: Documentos N= 4 & 6

__ Vejace a atestação do mesmo Barão

Chegamos ao Porto e a primeira noticia que recebêo o Exponente á sua entrada foi, o ter sido seu irmão, João da Cunha Araujo de Porto Carréro, morto tumultuosiamente, porque tendo marchado para Almeida o 6º Regimento, doqual elle era Comman Dante; o Bispo Chefe da Regencia oprivou de oacompanhar, e o em carregou de guarnecêr todas as forteficações; (então levantadas entorno daquela Cidade) com Artilharia, não só do Arcenal, mas tambem de diferentes embarcações que se achavão __ no Douro = o que lhe custou aquela bagatela: foi o exponente para as linhas, com o resto da Legião, athe que os mesmos Francezes tomarão o Porto, e dali viemos a Coimbra, onde recebemos Ordem do Marchal Beresford, que então tinha chagado a Lisboa, emcarregado d’Organizar o Exército Portuguez, para ali recolhermos; foi o exponente, o mais bem recebido pelo mesmo Marchal, e isto em concequencia das informações que de seus serviços pessoalmente lhe tinha dado o Barão d’Eben. tudo isto acontecêo, não só antes de estar organizado onosso Exercito, mas athe antes de ter chegado a Portugal o ditto Marchal; sircunstâncias estas, que tornão aqueles serviços mais distinctos e arriscados.

Foi o Exponente mandado logo pelo mêsmo Marchal, Organizar o Regimento de Cavalaria N. 2. então acantonado na Porcalhota; e depois de alguns Mêzes de muito trabalho com recrutas, e cavalos; porque os Regimentos se achavão todos apeados athe á quele tempo; foi então o Brigadeiro Maclen, encarregado de Organizar a Segunda Brigada de Cavalaria, composta dos Regimentos == 5 = e 8 = acantonados, hum no Campo e outro no Lumiar; acontecêo nesta ocasião __ o dito Brigadeiro Maclen, que o Exponente athe ali nunca tinha visto, vêr hum exercicio do seu Regimento, e nesse mesmo dia foi pedir ao Marchal para seu Major de Brigada, ao dito Exponente; para onde foi mandado logo na patente de Major. Organizouse logo a dita Brigada, e toda a Lisboa sabe que foi a mais Brilhante que da li saio para a Guerra Peninçular, em direcção a Thomar, Onde recebemos Ordem para nos unirmos ao Exercito do Marquêz De L Romana, então na Estremadura Espanhola; Onde ouverao muitas escaramuças, nas trez vezes que a Praça de Badajoz foi tomada, e retomada, acabando estas, com a sanguinolenta Batalha d’Alboera.
Documento= N=7=

E como estas fadigas diminuírão sobre maneira a força da Sobredita Brigada, foi o Brigadeiro mandando Commandar Outra, em quanto aquela se ía de novo Organizar; foi o Exponente mandado igualmente, para o Regimento de Cavalaria N=3=, onde teve a honrra de acabar a Guerra Peninçular.

Como na quele tempo já não ficava mal ao homem de bem, pedir a sua demição, não só por que a Campanha estava acabada, mas tambem por que no tempo da Páz não falta quem sirva, e não podendo o Exponente combinar a bem do Real Serviço com os intereces da sua Caza, pedio a sua demição para não comprometer o seu caracter, ou faltando ao serviço = no caso de otêr continuado; ou então arruinar de todo a sua Caza, por cauza do mesmo Serviço. foi-lhe esta concedida, e foi-lhe concedida estando o Exponente proposto para Tenente Coronal.

O Exponente, talvez demaziadamente dezentereçado, nunca pedio nem têve Mercê alguma; tem huma cruz de Ouro que ganhou com muitas fadigas, aquela o Exponente muito estima; por isso que em toda a parte faz vêr que o Exponente fêz com honrra a Guerra Peninçular. Documento N = 8 =

O Exponente com a sua demição não se tornôu innutil á Sociedade, não só por vir concervar huma Caza que tão util tem sido ao Estado, mas também pelos aumentos que todos sabem lhe tem feito, não só emproveito do Publico, mas tambem do mesmo Estado, pelos muitos Direitos, e Donativos que sempre lhe tem pago; E pela abundancia que á quele offerece, sustentando anualmente mais de duzentas familias, não só pelos muitos jornaleiros que diariamente emprega, por todo o anno, mas tambem por têr de Soldado e Comedia Oitenta e tantos cria dos, que todos da li sustentão suas familias, epor isto não pezão, nem sobre o Thezouro, nem sobre o Publico, infestando as estradas a rôubar, Obrigados pela necepsidade.

Em 1820 = achando=se o Exponente em Lisboa, esperando a Constituição que nos vinha da Grande Cidade do Porto, foi á Povoa esperar os seus Patricios, Amigos, e Antigos Camaradas, – a quem fêz em Lisboa todos aqueles Obsequios compativeis; e portudo quanto fica exposto, foi o exponente despertado por Sebastião Drago Cabreira e por Sepulveda, para pedir a Commenda d’Aviz, e visto que estes se encarregarão disto, Resolveo-se o Exponente a fazer o requerimento e quando o hia a entregar foi desgraçadamente a terra a quela Constituição; apezar disto, o Exponente entregou o requerimento, por que ainda na Secretaria do Reino se achava Felipe Ferreira d’ Araújo, porem mudando logo, o Ministerio, entrou para aquela Secretaria, o grande Corcunda Joaquim Pedro Gomes d’ Oliveira, que sempre teve o Exponente por hum Constitucional exaltado; e por isto esperou hum = Indeferido = mas não a= conteceo a sim; tal foi opêzo que lhe fêz os Serviços do Exponente ! e aparecêo o requerimento = esperado: = O exponente aborrecido com isto, nunca mais lhe empostou, nem requerimento nem mesmo os documentos Originaes que aquele continha, e que tudo ainda hoje deve estar na Secretaria do Reino;
O Barão de Tilheiras = sabe disto = "














"Chegou finalmente, a fatal Época da usurpação; e então desde logo não deixou o Exponente de fazer os maiores serviços pela Cauza de Sua Magestade Fedelicima , a Senhora D. Maria Segunda; com risco de vida, perda de família, e Caza, Recolheu-se immediatamente ao Pombalinho, onde tem a sua maior Lavoira; a sua Caza servio d’azillo amuitos refugiados; sustentou sempre o espirito dos Povos, a favôr da mesma Cauza; já, fazendo-lhe vêr diferentes cartas que recebia de Inglaterra, e de muitas outras partes; já todos os periodicos da Ilha 3ª e do Porto; e por este motivo diferentes peçoas de Santarem, e de diferentes Povoações desta Redondeza=estavão a hir a Caza do Exponente a todo o momento para serteficarem se do que havia, visto que era constante, que o Exponente tinha hum gabinete de literatura em Objetos políticos; aponto de dizerem os Ministros Miguelistas de Santarem, que o Pombalinho éra a America Inglesa: Isto podia ter custado muito caro ao Exponente se os Ministros não conhecêcem que elle tinha bastante influencia nesta Commarca. Alem de muitas peçôas refugiadas em caza do Exponente, (digão-no o Doutor Mello, Provedor das Caldas e o Abade de Povolide Miguel de Faria Amaral que ali estiverão em todo o tempo da usurpação, o Bravo Capitam Pinto, hoje no Regimento de Infantaria, o Tenente Amaral no Regimento de Cavalaria, que estando emtão em Santarem forão perceguidos por malhados, e por tais motivos mandados prender , e nesta occasião o Pinto mandou para o outro mundo hum dos que o queria prender; tiverão de fugir, mas sem saber para onde, e faltos totalmente de meios divagarão errantes por esta redondêza; estiverão por momentos a serem prezos em Torres Novas, donde vierão parar a hum cazal perto do Pombalinho, onde estavão no maior risco; foi então que se lembrarão mandar hum recado ao Exponente, que foi logo buscalos, têve-os em diferentes quintas que possue, sustentou=os por alguns mezes, fez-lhe apresentar embarcação para o Porto, e logo que disto teve noticia metêos em hum Barco seu pelo Tejo abaixo , e isto com o maior risco do Exponente, por que em Villa Franca havia uma __ para revistar todas as embarcações; chegados a Lisboa, fellos vistir no seguinte dia, comprando-lhe oque lhes era mais precizo, e no emmediato em barcalos para o Porto, onde já estava o Exercito Libertadôr, ao qual se unirão em Oito dias !!! elles devem a cabeça ao Exponente, pois se tivecem chegado a ser prezos, a terião perdido em trez dias.

Duque da 3ª = no Algarve
Tudo em agitação nesta Provincia, o Exponente em principio de uma comvalescença de huma Catarral de que esteve dezenganado; quantas vezitas não teve nesta occazião por motivos políticos ? e quantos forão os comprometimentos ?!! havia muita gente nesta redondêza , a maior parte queria levantar o grito de liberdade, mas com a condição de sair o Exponente, e de Os commandar = triste collizão, elle achavace doente, e sem poder têr-se de pé, mas no gôzo das maiores comodidades que se podem imaginar, e ainda não tinha sido roubado á sua caza; conhecia desde 1808, o que erão guerrilhas, tudo ponderôu aos seus amigos para não ser alcunhado de ignorante; porem horrorizado pelo estado de França a que tínhamos chegado, e amando mais que tudo a liberdade, despedio-se de tudo que era seu, bandonou a sua caza ao roubo e á Rapina, e a huma total distruição. escrevêo para Alcacer, ao Duque da 3ª (que então ali chegou) expondo-lhe o espirito damaior parte dagente desta Commarca, eque estava pronpto a fazêr a aclamação de Sua Magestade Fedelissima, a Senhora D. Maria 2ª, eque se anão tinha já feito era para senão malográr, o que sempre acontecia quando taes cauzas erão feitas prematuramente, e que exigia sua resposta: foi-lhe esta carta entregue em Aldagalêga por hum proprio, e como a resposta tardouce por cauza de mil Objectos aque o Duque tinha d’atender, e o Exponente penssace que apostador tivece sido prezo, fez juntar tudo em huma noite no Pombalinho, gente d’Alpiarça, da Chamusca, de Torres Novas, Santarém, fêz a li a aclamação e partio na mesma noite sobre Santarem que se achava guarnecida por trezentos Realistas bem disciplinados, e equipados, que á sua chegada amaior parte fugio para Thomar, e o resto entregou-se; o Exponente nessa madrugada fez reunir na Caza da Camera, Nobreza e Povo, lavrou accento d’aclamação que remeteo por huma Deprutacão (na qual hia seu filho:) ao emcomparavel Duque de Bragança, que entao tinha chegado a Lisboa, e foi este accentto oprimeiro que Sua Magestade Imperial recebêo: foi o Exponente nomeado por toda a gente de Santarem Governadôr Melitar, foi esta nomeação aprovada por Sua Magestade Imperial, o Duque de Bragança; Offeciou logo a todas as Cameras deste districto para reunirem, e aclamarem Sua Magestade a Senhora D. Maria 2ª, cujos Auttos o Exponente igualmente remeteo por outra Deprutação, ao immortal Duque de Bragança, que nomeôu o Exponente = Coronel do Batalhão movel que se devia organizar em Santarem; encarregou-o d’Organizar o Batalhão fixo, ficando sempre encarregado do Governo Militar: Documentos N=9=10=11=e 12=

Neste tempo tinha o Exercito do Usurpador deixado o Porto, e chegado a Coimbra, __ os déz mil homens do Duque de Cadaval, estavão em Leiria, e tinhão piquetes sobre Rio Maior, e Torres Novas a trez legoas de distancia de Santarem; Abrantes estava pela usurpação, eo Visconde de Molellos Commandante da Tropa que no Algarve devia fazer frente ao Duque da 3ª = veio para Salvaterra, trez legoas de Santarem; lembrou-se hum dia depassar ao Norte, o que fez em Vallada, com facilidade, por que o Tejo-ali-da-vao, e veio a Santarem com Oito Mil homens que commandava, de todas as armas: Nenhuma retirada tinha o Exponente, na frente = Abrantes; ao Norte Torres Novas, e Rio Maior com Tropas da Usurpacão, e na retaguarda aproximando-se a S__ Molellos que Cortava a retirada sobre Lisboa; teve o Exponente que passar com toda agente em Santarem o Tejo para Sul, foi a Canha, e ali fez reunir a Camera, e toda a gente da quela terra onde se lavrou o Autto d’aclamação que tambem da li remetêo por hum Offecial de Melicias, a Sua Magestade Imperial, o Duque de Bragança; e tendo noticia que no dia seguinte a Tropa de Molellos deixava Santarem, e hia reunir-se com a de Coimbra, partio logo o Exponente sobre Santarem, d’onde mandou a Sua Magestade Imperial, mais de quarenta soldados e alguns officiaes que por ali tinhão ficado ao Molellos, aconcelhados por amigos do Exponente, que abitavão Santarem.

No dia 18 de Agosto de 1833, tendo chegado à Gollegaã, a Vanguarda do Exercito da Usurpação, e tendo-se já retirado a maior parte da gente de Santarem, retirou-se o Exponente para Lisboa, onde a sistio voluntariamente ás batalhas que ali tiverão lugar, sahindo com o Exercito = do =Marquêz de Saldanha em direcção ao Cartaxo, a onde o Marquez (apezar de ter ali muitos Officiaes) o nomeou Governadôr Militar do Cartaxo, onde teve muitos emcomodos, sendo o mais concideravel, o ser isto sabido em Santarem, pelos Migueis, que então estavão de posse de tudo quanto era do exponente, e vendo que o Marquêz de Saldanha por aquela nomeação, tinha toda a comfiança no Exponente, distruirão-lhe quanto lhes foi possível, toda a sua Caza. Documento, Nºs 13=14=15 "










"No dia em que os Migueis se retirarão de Santarem, teve o Exponente a honrra de entrar na mesma Villa, na Companhia de Sua Magestade Imperial, e na do mesmo Marquêz; achou a sua Caza roubada; mais de quinhentas cabeças de gado vacum, mortas pelos Migueis; as suas manadas de Egoas e Cavalos, distruidas; as suas manadas de porcos e Ovelhas, forão igoalmente devoradas pelo Exercito usurpadôr, quatro sentas pipas de vinho, e finalmente toda a sua Colheita de Cereaes, que passava de mil moios de pão, de todas as qualidades, tiverão amesma sorte. O seu trem de Lavoira, que se compunha de Vinte e Sinco ferros; (eque o exponente, hoje tem no mesmo pé) distruido; quiz restabelecêr tudo; não tinha nem gados, nem sementes, nem dinheiro para pagar a os seus criados, comedias e ordenados!! Sircunstâncias estas, que Obrigarão o Exponente afazer hum sacrifício, contraindo hum em prestimo, sem oqual lhe não era possível tornar a restabelecêr a sua Caza, ao estado em que hoje se acha.

Tantos Sacrificios, tantas fadigas, perdas, e dannos, tudo o exponente espirimentou, com a milhor resignação, por isso que tem a satisfação de vêr hoje no Trôno Portuguez , Sua Magestade Fidelicima, a Senhora D. Maria 2ª, filha do incomparavel Duque de Bragança, de saudósa memoria.

Desde a tutal aniquilação do Exercito usurpador, não tem o Exponente deixado de servir a Sua Magestade Fidelissima, por isso que tem sido sempre, e ainda hoje hé, membro do Concelho de Districto."


Fonte - Torre Tombo



Informação Militar


Os documentos de informação militar aqui publicados sobre o Barão de Pombalinho, por serem coincidentes cronológicamente com as invasões francesas em Portugal, merecem uma atenta e particular leitura circunstanciada. Se verificarmos a postura claramente assumida por António D'Araújo Vasques da Cunha Portocarrero em relação às tropas invasoras de Junot e Massena, bem patente aliás na exposição que o mesmo redigiu, deduz-se que outra conduta não seria de esperar do barão nas unidades militares por onde passou, que não fosse uma completa aversão às hierarquias militares e seus códigos de conduta. Normal, porventura, a informação militar desprimorosa para com o barão, patente nestes documentos, dada e avaliada por quem tinha dos franceses uma outra visão estratégica militar em relação a Portugal! Mas como todos os documentos acabam por fazer parte da história, valendo na exacta medida da sua importância, não quisemos deixar de publicar também estes que acabam por constituir, também eles, uma curiosa fase da vida do barão de Pombalinho.

BP


BP

Tempo que servio nos differentes Postos – Só consta da sua Guia q. trouxe do Regimento Nº2 de passar para Capitão do mesmo em 14 de Junho de 1809 vindo de capitão da Leal Legião Lusitana. A Major Agrº do mesmo Regimento em 18 de Setembro de 1811 a effectivo deste em 23 de Maio de 1812.

Doenças – Immoroidas

Tempo que esteve doente – Desde 2 de Junho até hoge q. se acha em Lxª pª ser inspeccionado por ordem do Exmo Snr Marechal em Chefe.

Situação do Regimento nesse tempo – Em Elvas e na Estremadura Espanhola.


BP




BP
INFORMAÇÃO


Disposição fysica, e saude – A disposição fisica he boa, a saude hé debil tem mostrado que não faz exercicio voluntariamente e não o reputo capaz de soportar exercicios activos e continuados.

Conducta Civil – Ordinaria, porem respeita as Leis do País, e o comportamento pª com os Abitantes he ordinario.

Conducta Militar – Não posso bem fazer juizo por ter estado quaze sempre como parte de doente; he sobordinado.

Applicação e Estudos e quaes – Pouca aos Militares, e não acho q. Saiba como deve as ordens do Exercito, e as principais da Deceplina.

Aplicação ao serviço – Serve com pouco gosto, e por isto, pouco tem servido.



BP


Juizo que faz delle o Commandante



" Que pelo pouco que se interessa pelo Serviço não está em estado, nem de bem desempenhar as funções do seu Posto, nem de ser util ao Serviço; quasi sempre esta com parte de doente, e o seu grande intrece hé estar na Companhia da sua Família pelo que julgo pouco se poderá adiantar."


Quartel de Fonte de Cantos 1 de Janeiro de 1813
João da Silveira
Tenente Coronel Comandante


Fonte - Arquivo Histórico Militar






Condecoração


A condecoração de António de Araújo Vasques da Cunha Portocarrero, fruto da sua participação na Guerra Peninsular, apesar de alguma inexactidão histórica sobre que modelo de Cruz é que lhe foi atribuída, não quisemos mesmo assim de lhe dar o merecido relevo! De facto, na exposição aqui mesmo publicada da autoria do próprio barão, teria sido, segundo este, a Cruz de Ouro, a que lhe foi concedida pelo reconhecimento que teve na campanha que fez contra os invasores franceses.



Cruz Ouro


Também no livro Resenha das Famílias Titulares do Reino de Portugal , editado pela Imprensa Nacional de Lisboa em 1838, a Cruz de Ouro é referida.


De outra fonte e segundo documento de origem militar da Secretaria dos Negócios da Guerra de 25 de Dezembro de 1820, que gentilmente nos chegou por intermédio de Paulo Jorge Estrela , teria sido a Cruz Nº2, ou seja a de Prata! Fica assim por esclarecer qual das condecorações (se a nº1 ou a nº2) é que verdadeiramente lhe teria sido atribuída.



Cruz Ouro
Cruz Ouro


A propósito desta condecoração, recebemos de Paulo Jorge Estrela o seguinte esclarecimento adicional:
"Na página 245, e de acordo com as relações nominais publicadas na Ordem do Dia do Exército nº 31, de 1820, o Major do Regimento de Cavalaria nº 3, António de Araújo Vasques da Cunha Portocarrero (mais tarde Barão de Pombalinho ) foi agraciado com a chamada Cruz de Condecoração, de prata, das Campanhas da Guerra Peninsular, por 2 anos de campanha, também conhecida por Cruz nº 2 da Guerra Peninsular (2 anos)."
E ainda, a propósito desta condecoração:
"Já me deparei em algumas pequenas referências bibliográficas a que teria tido a Cruz de ouro, mas efectivamente a oficialmente concedida foi a Cruz de prata (para 2 anos de campanha). Aproveito para informar que por 2 e 3 anos de campanha era concedida a Cruz de prata e por 4, 5 ou 6, a de ouro. O número constante no reverso da mesma denotava a concessão averbada. Também lembro que os critérios eram muito rigorosos e que é possível que ele tivesse estado em serviço durante todos os anos da chamada Guerra Peninsular, mas se não tivesse feito um mínimo de tempo por ano em combate ou não tivesse participado em algumas das acções ditas principais, e como tal não lhe era reconhecido o tempo para efeito da concessão..."


Documentos e Texto de: Paulo Jorge Estrela



Cruz de Ouro
Cruz de Ouro.


A Cruz da Guerra Peninsular foi criada pelo Rei D. João VI em 28 de Junho de 1816 para distinguir os oficiais que participaram nas campanhas da Guerra Peninsular de 1809 a 1814. Em Prata para quem tivesse participado em até 3 campanhas e em Ouro para quem participasse em 4, 5 ou 6 campanhas.

Ilustração e texto daqui 





Cavalo ruço!..








A Regência do Reyno, em nome de El Rey Senhor D.João Sexto, annuindo à pretenção de António de Araújo Vasques da Cunha, que foi Major de Cavalaria, determina que S Exa passe as ordens necessárias, para que se lhe dê hum cavalo ruço que há na 6ª Companhia do Regimento de Cavallaria Nº7 para cobrição de cem egoas que tem nas suas fazendas no Riba-Tejo, dando o Suppe. dois cavalos, que offerece em troca daquelle, bem capazes de montarem quaisquer soldados.

Deus guarde a S Exa. Palácio da Regência, em 27 de Março de 1821.

António Teixeira Rebello


Conde de Sampayo




Fonte - Arquivo Histórico Militar 






Comenda Ordem Avis I










Exmo Senhor
1ª Dirª Nº6438



Transmitto a V.Exª o incluzo Requerimento de António de Araújo Vasques da Cunha que pretende ser condecorado com huma Commenda da Ordem de Aviz; apsim como os mais papeis a elle juntos; afim de que V.Exª se digne dar-me o seu parecer sobre esta pertenção, restituindo-me com ella os mesmos papéis.

Deos Guarde a V Exª Secretaria de Estado dos Negócios do Reino 21 de Outubro de 1824.

Exmo Senhor Conde de Subserra - Marquez de Palmela



Fonte - Arquivo Histórico Militar





Comenda Ordem Avis II










1ª Direcção 4ª Repartição
Nº6438

"António d'Araújo Vasques da Cunha, requer pelo Reino huma Comenda Honorária da Ordem d'Aviz, em testemunho dos particulares serviços que fez na guerra; alegando e provando por documentos que sentára praça de soldado voluntário em Junho de 1796; que seguio os Postos até que sendo, Tenente, e havendo assistido à guerra de 1801, passou a Capitão da L. Legião Lusitana em Agosto de 1808, e depois ao Regimento de Cavalaria Nº2, sendo promovido a Major effetivo para Cavalaria 3 em Maio de 1812, e demitiddo pelo requerer, em razão de modéstia, em 13 de Janeiro de 1813/ servio 16 anos, 7 meses, e dias/, havendo-se portado com destinção na guerra da Peninsula a que assistio, segundo parece dos documentos, até 1812; e não tendo recebido Mercê alguma em remuneração destes serviços como faz vêr por huma Certidão da Secretrª das Mercez, passada em 27 de Setembro de 1822.
Foi ouvido o Fiscal, Fonseca Gouveia, e diz que não estando o Supp. em circunstancias de obter o Habito d'Aviz, por não ter 20 anos de serviço da Lei, muito menos o está para lhe ser conferida a Comenda honoraria da mesma Ordem, que pede; podendo contudo implorar a remuneração correspondente aos serviços que fez na guerra.
O Ministro do Reino em 21 de Outubro ultimo remette estes papeis, e pede o parecer de Sua Ex.ª sobre esta pretenção."

Em 8 de Novembro de 1824
José Claudino Vellez da Silva




Fonte-Arquivo Histórico Militar



Cmdt Batalhão Móvel








Manda o Duque de Bragança Regente em Nome da Rainha conformando-se com a Proposta do General Encarregado do Governo das Armas da Corte e Provincia da Extremadura, que o Major que foi de Cavalaria , António de Araujo Vasques da Cunha, actual Governador Militar da Villa de Santarém, seja Nomeado Coronel Commandante do Primeiro Batalhão Móvel da mensionada Villa.
Paço das Necessidades em treze de Agosto de Mil e oito centos e trinta e trêz.

Agostinho José Freire





Fonte - Arquivo Histórico Militar






Governador Militar








N2645 - SMJ
Ill.mo Exmo Snr

Sua Majestade Imperial o Duque de Bragança Regente em Nome da Rainha, Determina que VExcia declare por este Ministério se acha conveniente que seja nomeado Governador Militar da Villa de Cartaxo o Coronel de Batalhão Nacional Movel de Santarém António de Araujo Vasques da Cunha.
Deos Guarde a VExcia Paço do Ramalhão em 11 de Maio de 1834.



Agostinho José Freire

Snr Conde de Saldanha





Fonte - Arquivo Histórico Militar 








Governador Militar do Cartaxo


BP


Notta


"Em resposta á notta de S.Excia o Snr Ajudante General de 14 do Corrente em que partecipa a Determinação de S.M.R communicada em Avizo do Ministério da Guerra de 11 do Corrente para que se declare se há conveniente nomear de Governador Militar desta Villa do Cartaxo o Coronel do Batalhão Naval Movel de Santarém António d’Araújo Vasques da Cunha, SExcia o Snr Marechal, a quem foi presente a referida nota manda declarar que não vê utilidade alguma em semelhante nomeação por que não se pode considerar este governo, e muito mais no estado nossos negocios."

Quartel General no Cartaxo em 16 de Maio de 1834





Fonte - Arquivo Histórico Militar




Título de Barão de Pombalinho




Decreto de oito de Maio de mil oitocentos e trinta e sete em que a Rainha D.Maria II cria o título Barão de Pombalinho, a favor de António Araújo Vasques da Cunha.







"Dona Maria por Graça de Deos e pela Constituição da Monarchia, Rainha de Portugal, Algarves e seus Dominios; Faço saber aos que esta Minha Carta virem que dando o devido apreço ao merecimento à nossa Pátria, a adhesão ás Instituições Liberais da Monarchia e mais qualidades que concorrem na pessoa de António de Araujo Vasques da Cunha, e que se ...







...achão comprovadas pelos bons serviços que tem prestado a Nação, já na Campanha de mil oitocentos e um, e na Guerra da Peninsula, onde muito se distinguio pelo seu merito militar, já na Calamitosa epocha do Dominio do Usurpador do Thron Portuguez, protegendo muitos dos meus subditos que por sua fidelidade tinhão de andar homisiados para escaparem a tjrannia e tomando outro sim em mui particulares considerações os prejuízos que este Cidadão, em quanto combattia pelos meus Legítimos Direitos, soffreu na sua Casa, que deixou exposta ao furor dos sectarios do despotismo, depois de haver concorrido para que em differentes Povoações fosse acclamado o Governo legítimo de Portugal. Hei ...








...por bem Fazer mercê ao menciona do António d'Araujo Vasques da Cunha do Titulo de Barão do Pombalinho. E mando que se chame d‘ora em diante Barão do Pombalinho, e que com o dito Titulo goze de todas as honras, prerogativas e preeminencias, que por elle lhe pertencem, e que tem, e de que são e sempre usárão os Barões destes Reinos, sem mingua ou quebra alguma. E por firmesa do que dito é lhe mandei paSsar a presente Carta que vai por mim assignada e sellada com sello pendente das Armas Reaes. Pagou de Direitos seis centos mil reis como constou de um conhecimento em forma, com o numero cento e quatorze, e data d’hontem apsignado pelo contador da Fazenda ...






do Districto de Lisboa, e rubricado pelo Administrador Geral interino do mesmo Districto. Dada no Palacio das NeceSsidades em vinte e tres d'Agosto de mil oito centos trinta e sete. A Rainha com guarda = Julio Gomes da Silva Sanches. Carta pela qual VoSsa Magestade Ha por bem fazer mercê do Titulo de Barão do Pombalinho a António d'Araujo Vasques da Cunha, pela forma retro declarada. = Para VoSsa Magestade ver. lugar do Sello Pendente = Por Decreto de oito de Maio de mil oito centos trinta e sete = João de Roboredo a fez Registada a folhas cento trinta e oito Verço do Livro quatorze de Cartas Alvarás e Patentes. Secretaria de Estado dos Negocios do Reino em vinte quatro de Agosto de mil oito centos trinta e sete.
António José Dique da Fonseca Junior.
Conferida em 22 de Agosto de 1837.
Basto.




Fonte documento - http://antt.dgarq.gov.pt/

Foto - http://purl.pt/






Brasão










Barão de Pombalinho

Esquartelado: I e IV - Portocarreiro: xadrezado de ouro e azul, de três peças em faixa e de cino peças em pala; II e III - Rocha: de prata, com uma aspa de vermelho carregada com cinco vieiras de ouro; Elmo de prata tauxeado de ouro, forrado de vermelho; virol e paquifes de ouro e azul; Timbre: coronel de Conde; correias de azul perfiladas de ouro, tachões de ouro; Este título foi criado por D. Maria II de Portugal, a favor do único Barão de Pombalinho, António de Araújo Vasques da Cunha Portocarreiro, pelo Decreto de 08 de Maio de 1837.


Ilustração e texto daqui